segunda-feira, 16 de abril de 2007

AUDIÇÃO DIÁRIA: Dave Brubeck



Bossa Nova USA
[album cover]
Notes

Recorded Jan,Jul-Oct 1962 in NYC, released 1963.
Label and catalogue number

* Columbia CL 1998 (mono)
* Columbia CS 8798 (stereo)
* Columbia BPL 62127 (UK)
* CBS BP 233038 (Aus)
* CBS MX 139938 (Aus)

Personnel

* Dave Brubeck (piano)
* Paul Desmond (alto sax)
* Eugene Wright (bass)
* Joe Morello (drums)

Tracks

* Bossa Nova U.S.A. (D Brubeck) 2'24"
* Vento Fresco (Cool Wind) (D Brubeck) 3'30"
* Trolley Song (Martin & Blane) 3'04"
* Theme For June (H Brubeck) 4'15"
* Coracao Sensival (Tender Heart) (T Macero) 4'10"
* Irnao Amigo (Brother Friend) (D Brubeck) 3'22"
* There'll Be No Tomorrow (D Brubeck & I Brubeck) 5'42"
* Cantiga Nova Swing (D Brubeck) 2'46"
* Lamento (D Brubeck) 4'45"
* This Can't Be Love (L Hart & R Rodgers) 6'50"

sexta-feira, 13 de abril de 2007

EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA (quem agüenta tudo isso??)



Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir o diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém
sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que, se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e
tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra
suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da
laranja, das seis refeições e, enquanto tiver dentes, passar fio dental,
massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um
equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai
passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia,
mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora
por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar,
ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser
regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando
eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia
para comparar as informações.
Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e
espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta, são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo
tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os
dentes.
Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e, se
sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir
ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal.
Tchau....
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.

Luís Fernando Veríssimo.

AUDIÇÃO DIÁRIA: Dave Brubeck



Time Further Out extends upon the concepts first enunciated on the Brubeck Quartet's surprise hit Time Out, but in this case with the organizing principles involving the leader's varied compositional treatments of the blues--traditional and otherwise. Thus a darkly ruminative tune such as "Bluette" treats a fairly standard 12-bar form in a very non-standard manner, interpolating a variety of classical devices that suggest the melodic influence of Chopin and the contrapuntal devices of Bach in its treatment, with a yearning alto solo from saxophonist Paul Desmond that suggests the emotional content of a blues, without specifically referring to standard devices. As if to italicize his band's mastery of polymeter, pianist Brubeck treats the fifth, sixth, seventh, eighth, and ninth tunes in corresponding meters, to particular effect on the 7/4 hoedown of "Unsquare Dance," the 8/8 barrelhouse changes of "Bru's Boogie Woogie" and the engaging dissonances of his 9/8 mood piece "Blue Shadows in the Street." And on "Far More Drums," drummer Joe Morello displays a mastery of 5/4 metric variations and African-styled polyrhythms that was unheard of for that time, save for percussive grandmasters such as Max Roach.

Conteúdo do CD:

1. It's A Raggy Waltz
2. Bluette
3. Charles Matthew Hallelujah
4. Far More Blue
5. Far More Drums
6. Maori Blues
7. Unsquare Dance
8. Bru's Boogie Woogie
9. Blue Shadows In The Street
10. Slow And Easy (A.K.A. Lawless Mike)
11. It's A Raggy Waltz (Live At Carnegie Hall)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

ESTADOS DE CONSCIÊNCIA: O COMUM E O HOLOTRÓPICO



ÁLVARO JARDIM

Publicado na coluna Opinião, do jornal "O POPULAR",
Goiânia - GO, em 17/07/02.

Dentro da visão teórica e prática do Dr. Stanislav Grof, MD, eminente cientista e professor acadêmico, a psicologia e a psiquiatria tradicionais têm estabelecido limites para o estudo destas ciências e para o que elas têm denominado de científico, tendo como base o paradigma newtoniano-cartesiano.

Estes campos de estudo consideram estados ditos "normais" ou ordinários, ou ainda, usuais de consciência quando experienciamos nós próprios como existindo, dentro de limites do corpo físico, e a nossa percepção do meio em que vivemos está restrita ao alcance dos cinco sentidos. Tanto nossa percepção interna quanto nossa percepção externa estão confinadas aos limites de tempo e espaço. Podemos nos lembrar do passado e o futuro pode ser imaginado ou fantasiado, mas tanto um como o outro não estão disponíveis para uma experiência direta. Quando vivenciamos o transpessoal uma ou mais das limitações descritas acima parecem ser transcendidas. Isto pode ocorrer quer através de técnicas (antigas e aborígines e, também, psicológicas) utilizadas para alcançar esta transcendência, ou através de drogas, ou, ainda, de forma espontânea.

Se tivermos como base a discussão acima, as experiências transpessoais podem ser definidas como expansões experienciais ou extensões da consciência além dos limites usuais, ou seja, ditos "normais" ou ordinários do ego corpóreo dos cinco sentidos e além dos limites de tempo e espaço. Estas experiências cobrem um alcance extremamente amplo de fenômenos, que ocorrem em diferentes níveis de realidade, pois num certo sentido, todo o espectro de experiências transpessoais tem a dimensão da própria existência.

É lógico que para falarmos sobre estados incomuns ou não usuais, ou ainda, não ordinários de consciência teríamos que trazer um conceito que Grof, em 1992, introduziu e cunhou o termo holotrópico, após trinta anos de exaustivas pesquisas de estados incomuns de consciência. Diz ele: "esta palavra composta significa literalmente orientado para a totalidade/inteireza ou indo em direção à totalidade/inteireza (do grego holos = totalidade/inteireza e trepein = indo em direção a algo)". Ele sugere que: "no estado de consciência ordinário, do cotidiano, identificamo-nos com apenas uma pequena fração de quem realmente somos. Nos estados holotrópicos, podemos transcender as fronteiras restritas do ego corporal e reivindicar nossa identidade total".

O interesse primeiro de Grof objetivava enfocar os aspectos heurísticos desses estados, ou seja, de como eles podem contribuir para nossa compreensão da natureza da consciência e da psique humana.

Na realidade, a consciência pode ser profundamente modificada por uma variedade de processos patológicos. Só para darmos alguns exemplos, citamos aqui os traumas cerebrais, por intoxicações com venenos químicos, por infecções, ou por processos degenerativos ou de circulação no cérebro. É evidente que tais condições podem resultar em profundas mudanças mentais, que poderiam ser qualificadas à categoria de "estados incomuns, ou não comuns, ou não usuais, ou ainda, não ordinários de consciência". Mas, para nossa colocação aqui, são irrelevantes os danos causados por estes traumas cerebrais, que seriam os "delírios triviais" ou "psicoses orgânicas", mas que não deixariam de ser importantes clinicamente. Quem sofre de tais estados encontram-se desorientadas. Elas não sabem quem são, onde estão ou que dia é, além de suas funções intelectuais se apresentarem danificadas de modo significativo e, ainda, sofrerem de amnésia após suas experiências.

Os estados que Grof denominou holotrópico são um grande e importante subgrupo de estados não comuns de consciência, que apresentam uma diferença bastante significativa dos restantes e traz uma fonte inestimável de novas informações sobre a psique humana, tanto na saúde quanto na doença. Além disso, ele tem um notável potencial terapêutico e transformador. Grof diz, ainda, "achei difícil acreditar que a psiquiatria contemporânea não reconheça suas especificidades e não tenha terminologia especial para elas".

Michael Harner (1980), que é um antropólogo americano bem conceituado no meio acadêmico, aponta à psiquiatria ocidental uma visão tendenciosa grave, através de dois modos bem significativos:

- considera, como a única visão correta, a sua própria visão da psique humana e da realidade;
- considera apenas as experiências e observações realizadas nos estados comuns ou ordinários de consciência.

Grof afirma ainda que: "a falta de interesse e o pouco caso dos psiquiatras em relação aos estados holotrópicos resultou em uma abordagem culturalmente insensível e uma tendência a considerar patológicas todas as atividades que não podem ser compreendidas, no contexto estreito do paradigma materialista monístico. Isto inclui a vida ritual e espiritual de culturas antigas e pré-industriais e toda a história espiritual da humanidade. Ao mesmo tempo, essa atitude também ofuscou o desafio crítico conceitual que o estudo de estados holotrópicos traz para a teoria e a prática da psiquiatria".

Grof propõe, após mais de 40 anos de pesquisa com estados holotrópicos de consciência, um estudo sistemático das experiências e observações associadas aos estados holotrópicos porque tem a certeza de que tais procedimentos recairiam em uma revisão radical de nossas idéias básicas sobre a consciência e a psique humana, e a uma abordagem completamente nova da psiquiatria, da psicologia e da psicoterapia.



Referências Bibliográficas:

Grof, S. Psicologia do Futuro: Lições das Pesquisas Modernas de Consciência. Niterói, RJ: Heresis, 2000.
Grof, S. A Aventura da Autodescoberta. São Paulo: Summus, 1997.
Harner, Michael. O Caminho do Xamã. São Paulo: Cultrix, 1995.

AUDIÇÃO DIÁRIA: Dave Brubeck



Brandenburg Gate: Revisited
[album cover]
Notes

Recorded August 1961, released 1963. Features the DBQ + a full orchestra.
Label and catalogue number

* Columbia CL 1963 (mono)
* Columbia CS 8763 (stereo)
* CBS BP 23089 (Aus)
* CBS MX 141891 (Aus)
* Sony/CBS Legacy CK 65725 (1998 CD reissue)

Personnel

* Dave Brubeck (piano)
* Paul Desmond (alto sax)
* Eugene Wright (bass)
* Joe Morello (drums)
* Howard Brubeck (arranger, conductor)
* Max Pollikoff (concertmaster)

Tracks

* Brandenburg Gate (D. Brubeck) 19'55"
o Brandenburg Gate
o Serenade
o Night Song
o Awakening
o Morning Song
o Pivot Dance
o Exhilaration Dance
o Movement
o Triolet
o Repercussion
o Final Dance
* Summer Song (D. Brubeck) 6'26"
* In Your Own Sweet Way (D. Brubeck) 4'56"
* G Flat Theme (H. Brubeck) 3'55"
* Kathy's Waltz (D. Brubeck) 3'02"

terça-feira, 10 de abril de 2007

TRANSDISCIPLINARIDADE E O SER - O Paradigma Transpessoal



Isabel Cristina de Albuquerque

A transdisciplinaridade, segundo Nicolescu, se refere "aquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente..." (Nicolescu, p.51, 2001). Isto nos remete aos vários níveis da Realidade e de Percepção apontados pelo autor, além das zonas de não-resistência relativas a cada um, o que passamos a indicar mais a frente.

O paradigma transpessoal é a base da psicologia transpessoal que tem por objeto de estudo os estados incomuns de consciência. Estes estados incomuns experimentados pelo ser permitiriam um acesso a diferentes dimensões da realidade, a partir de diferentes níveis de percepção. A Psicologia Transpessoal aparece, na evolução dos estudos sobre a psique humana, como a Quarta Força, sendo a primeira o Beharviorismo; a segunda, a Psicanálise; a terceira, o Humanismo.

Assim, o que estaremos propondo aqui é que a zona de não-resistência da transdisciplinaridade - o sagrado - indicado por Basarab Nicolescu, pode ser construído (ou mesmo é construído) a partir das experiências dos estados incomuns de consciência e estas serem instrumentos para construção do conhecimento, a partir do trânsito da consciência pela vertical de acessamento cognitivo que atravessa os níveis de Realidade.

A Transdisciplinaridade

A partir dos três pilares básicos da transdisciplinaridade: os níveis de Realidade, a lógica do terceiro incluído e a complexidade, indicados por Nicolescu, e que esta "se interessa pela dinâmica gerada pela ação de vários níveis de Realidade ao mesmo tempo." (Nicolescu, p.52, 2001), o conhecimento da realidade passa por uma estrutura descontínua, exigindo uma pesquisa que permita considerar os diversos níveis de percepção do ser. Os níveis de percepção do sujeito, sua multirreferencialidade, são o resultado de seu histórico de referência, crenças e valores - sua ontogenia - a partir de onde ele passa a perceber a realidade. Assim, este sujeito e seus níveis de percepção compõem o Sujeito Transdisciplinar.

A visão multidimensional da realidade apresentada pela física quântica, nos sugere que a realidade comporta um certo número de níveis, onde as leis que definem um nível não são as mesmas que definem o nível adjacente. Onde há ruptura de leis gerais e conceitos fundamentais, ocorre a existência de um nível de realidade distinto dos demais. A descontinuidade do mundo quântico também é encontrada nos níveis de Realidade. Os níveis de Realidade observados compõem o Objeto Transdisciplinar.

A lógica apresentada por Stéphane Lupasco, em O Homem e suas três éticas, rompe com a possibilidade de exclusão dos diversos elementos constitutivos da Realidade, na medida em que esclarece que, quando se identifica um elemento como sendo A e outro não-A, existe um terceiro elemento que pode ser tanto A como não-A, mas que ocorre em um outro nível de Realidade. A unidade criada a partir da ligação dos diversos terceiros elementos que se encontram nos diversos níveis de realidade dá, a este conjunto de níveis, uma coerência e uma orientação na transmissão de informações que entre eles ocorre. Esta ligação tem como resultado a construção da vertical de acessamento cognitivo, proposta por Daniel Silva (1999) como o espaço vertical de cognoscência entre as diversas dimensões da realidade e diversas percepções, cujo acesso se dá sem resistência epistêmica, conceitual e lingüística.

À medida que as pesquisas científicas se consolidam, a complexidade dos fenômenos evidencia-se como um catalisador na desconstrução da visão clássica do mundo, expandindo o conhecimento para além dos primeiros níveis subatômicos da matéria. Descrever os processos observados no mundo microfísico exigiu dos cientistas equações complexas, que nem sempre podiam explicar fenômenos no mundo macrofísico. E como realça Nicolescu: "A complexidade social sublinha, até o paroxismo, a complexidade que invade todos os campos do conhecimento." (Nicolescu, p. 45, 2001). E mais adianta salienta: "O conflito entre a vida individual e a vida social aprofunda-se num ritmo acelerado. E como podemos sonhar com uma harmonia social baseada na aniquilação do ser interior?" (Nicolescu, p. 45, 2001).

Este ser interior é parte do objeto de estudo da Psicologia Transpessoal que passamos a indicar.

O Paradigma Transpessoal

O interesse pelos estudos da consciência tem crescido muito nos últimos tempos, na tentativa de buscar uma alternativa para a degradação geral que assola o mundo. O que é demonstrado pela crescente procura pela literatura oriental, literatura de auto-ajuda, evidenciado pelos livros que encabeçam as listas dos mais vendidos, práticas de meditação e outras práticas espirituais. Paralelamente a isto, pesquisas clínicas no campo da mente têm sido desenvolvidas em todo mundo.

As grandes tradições espirituais do Oriente como a Yoga, o Taoísmo, o Zen-budismo, acumularam uma quantidade de conhecimento sobre a psique humana que a ciência ocidental não produziu até então. E permanecem descartadas pela ciência clássica rotuladas como superstição, crenças primitivas, etc.

Alguns cientistas, entre eles Jules Eisenbud, Stanley Krippner, Gardner Murphy têm se dedicado a estudos envolvendo estados de consciência que evidenciam a telepatia, a clarividência, projeção astral, visão à distância, e outros.

De acordo com Stanislav Grof, em sua obra Além do Cérebro, citada por Alírio de Cerqueira, os estados incomuns de consciência possuem basicamente as seguintes características:

* seqüências com nitidez e realismo além do percebido no mundo normal;
* seqüências musicais
* visões tridimensionais;
* transcendência de espaço e tempo, não apresentando linearidade seqüencial;
* cenas de diferentes contextos históricos aparecem conectadas de forma significativa;
* percepção de espaço com várias dimensões;
* não existe distinção entre o indivíduo e os objetos e o espaço onde ocorre a experiência, com transcendência entre matéria, energia e consciência;
* simultaneidade ou alternância de identidades, sem ruptura da unidade existente;

As experiências de estados incomuns de consciência apresentadas por Grof são de 3 tipos:

- estéticas ou abstratas - não possuem conteúdo simbólico específico, sem relação com a personalidade do sujeito;
- psicodinâmicas, biográficas ou rememorativas - reviver de memórias relevantes do ponto de vista emocional, desde de os primeiros dias de vida;
- transpessoais - telepatia, psicometria, premonição, clarividência, experiências "fora do corpo", psicodiagnóstico, entre outros, onde ocorre a transcendência das limitações temporais e espaciais, com acesso às novas informações a partir dos canais extra-sensoriais.

As experiências transpessoais esbarram de forma brutal nos princípios fundamentais da ciência mecanicista, por implicarem na relatividade dos fenômenos naturais, conexões que ocorrem em locais indefinidos do Universo, não-linearidade do tempo, entre outras.

A partir do princípio da complementaridade de Niels Bohr, onde a discrepância entre dois aspectos mutuamente exclusivos da realidade passa a ser aceita para descrever um fenômeno e sendo esta dualidade resultado da interação entre objeto observado e o observador, podemos inferir que aí também se apresenta a lógica do terceiro incluído, na existência de diferentes níveis de Realidade.

A estas considerações acrescente-se o que nos indica Alírio de Cerqueira: "Os cientistas sondaram as mais profundas estruturas da matéria e estudaram os aspectos variados dos processos do universo é, por isso, a noção de substância sólida foi desaparecendo gradualmente, deixando apenas modelos arquetípicos, fórmulas matemáticas abstratas ou ordem universal. Não parece, pois, extravagante acolher a possibilidade de que a consciência é o princípio conectivo na rede cósmica, como atributo primário e ulterior da existência." (Cerqueira, p. 40, 2002).

As experiências transpessoais também aparecem associadas a eventos do mundo exterior de forma não explicável pela causalidade linear. Isto foi evidenciado por Carl Gustav Jung, que identificou esta associação como um princípio conectivo não-causal, o sincronismo. Este sincronismo é dado pela ocorrência simultânea de um certo estado psíquico e um (ou mais) evento externo que possui um paralelismo significativo ao estado subjetivo do momento. Não seria este movimento o caminhar pela vertical de acessamento cognitivo, através dos diversos níveis de Realidade?

O Diálogo

Agora nos propomos a construir um diálogo entre as duas idéias apresentadas acima, partindo de suas bases epistemológicas, que nos apresentam uma zona de não-resistência, onde identificamos elementos comuns para o desafio proposto.

Assim, seguem nossos apontamentos:

*
os níveis de Realidade definem a multidimensionalidade do Real;
*
as zonas de não-resistência são definidas para além dos limites de nossa condição física;
*
os níveis de Percepção definem a multirreferencialidade do Real, na medida em que é a relação entre o objeto observado e o observador que definem cada nível de Percepção;
*
a zona de não-resistência é dada pelo sagrado - aquilo que não pode ser racionalizado, de acordo com Basarab Nicolescu, por fazer parte da experiência vivida por cada ser humano;
*
os níveis de Realidade podem ser unidos através da cadeia dos terceiros elementos incluídos, que formam uma vertical de acessamento cognitivo, conforme proposto por Daniel Silva(1999);

A partir disso, concluímos que o ser, que atravessa a existência em inúmeras experiências em estado incomuns de consciência, constrói seu conhecimento de forma transdisciplinar, mesmo que a isto não se dê conta. Esta construção passa pelo acessamento das múltiplas idéias existentes nos diversos níveis de Realidade, razão porque é fácil identificar pessoas distintas com a mesma idéia.

A transdisciplinaridade apresenta-se, desta forma, como uma metodologia para o estudo do acessamento da consciência, aos diversos níveis de Percepção e Realidade, o que consolida o paradigma Transpessoal.

AUDIÇÃO DIÁRIA: Dave Brubeck




Um CD sensacional do Dave Brubeck, "Brubeck Time", gravado em 1955 nos estúdios da Columbia Records. O CD se chama Brubeck Time porque ele, Dave, havia saido na capa da revista Time pouco tempo antes.